terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ações Heliotropistasmage


"A árvore já é uma imagem do mundo" é uma frase de Gilles Deleuze e Félix Guattaari que tomei emprestado para elaborar esta exposição. A meu ver, a exposição alcança, com suas proposições, uma atitude tão importante quanto um replantio em termos conceituais, uma celebração de pequenas partes da natureza onde a árvore encontra um acolhimento.


Repensar aspectos como germinação, subjetividade, crescimento e multiplicidade são propostas que surgem por meio de micro-comunicações, mostrando aquilo que advém dos seres vivos. Os trabalhos expostos são percebidos quando os caminhos “arborescentes” de nossas vidas nos apontam para uma ação, digamos, ecológica, sustentada por outros pequenos signos expostos, tentando captar suas interações, produzindo, assim, um “rizoma” variado de entrelaçamentos. Os recursos composicionais vão crescendo, se processando, buscando
direções (como as plantas em busca da luz), preenchendo o ambiente de significações. Esses elementos da natureza são também conceituais. Discute-se o visível e o invisível, vida e morte, situando o tempo predominante – são os trabalhos que contém plantas-símbolos – motivações essas idealizadas através de materiais realçados para falar de esperança.

É uma exposição inventada como um simples relato de uma paisagem, uma espécie de onstrução de imagens, partindo daquilo que podemos chamar de árvore, ou melhor, suas partes. Alguns trabalhos em processo são representações para justificar a própria existência e crise da árvore. Buscamos uma narrativa para encontrar a forma, nos colocando frente aos diversificados caminhos pelos quais devemos percorrer, semelhantes a uma raiz que se encontra dentro, alimentada pela luz que se encontra fora. Algumas plantas surgem como veículo-arte, movendo-se em constante contato com a terra, sugerindo veredas, constituindo uma estrutura emblemática de luta. Não há, ali, uma preocupação em transmitir o objeto e

sua real importância na atualidade e, sim, mostrar a energia, o percurso de uma direção, para tentar realizar deslocamentos dos organismos vivos.

Os trabalhos de materiais coletados são apenas para interpretar e expor fragmentos de um projeto poético heliotrópico (investigação artística que venho desenvolvendo, originada a partir dos fenômenos do movimento e direção das plantas sob a ação de raios solares, fazendo uma analogia com a vida dos seres humanos). São estratégias para valorizar esses meios intermináveis de contatos. A exibição de imagens fragmentadas, apropriadas, falam de um mundo complexo, que aponta para um encontro com a natureza, além de uma reflexão sobre o meio ambiente ora em evidência. Uma narrativa que não tem início nem fim, estimulada apenas pelo visitante que, ao penetrar no espaço expositivo, certamente introjetará aquilo que ele está vendo sem cessar.

Anéis de ouro, plantas, diamantes, caules, raios de sol, tijolos, lápis crayon são signos que criam vínculo, aproximando o espectador da árvore como imagem do mundo, sugerindo novas possibilidades de vida que se aglutinam, manifestando elementos de ligação, nos quais se apresenta o caráter subjetivo da exposição para formatar a obra.

Willyams Martins





Caminhos da Árvore

dimensões variadas
areia, sementes, adubo, plantas, relógio
2009



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